O produtor de soja terá de acompanhar não apenas o volume de chuva, mas também as temperaturas e a distribuição das precipitações durante a safra 2026/27. Com o avanço do El Niño, algumas regiões podem enfrentar excesso de umidade, enquanto outras devem ter chuva abaixo da média e calor intenso. Mesmo quando chove, as temperaturas elevadas podem acelerar o ciclo da cultura e comprometer a produtividade.

Calor pode acelerar o ciclo da soja

A combinação entre temperaturas elevadas e chuvas irregulares pode comprometer o desenvolvimento da soja, mesmo em regiões que recebem precipitações ao longo da safra.

O calor aumenta a evapotranspiração, processo pelo qual a água é transferida do solo e das plantas para a atmosfera. Com isso, a umidade disponível pode diminuir mais rapidamente, especialmente quando as chuvas são insuficientes ou mal distribuídas.

As temperaturas durante a noite também são importantes. Noites mais quentes podem favorecer uma maior pressão de pragas nas lavouras, acrescentando outro fator de preocupação para o produtor.

Por isso, a análise das condições climáticas precisa considerar mais do que o acumulado de chuva. A distribuição das precipitações, a temperatura e a capacidade de retenção de água do solo também influenciam o resultado da safra.

Quais regiões exigem mais atenção?

Os efeitos do El Niño não devem ser iguais em todo o país. Segundo o meteorologista Artur Müller, a tendência é de condições mais secas e quentes em parte do Norte, do Nordeste e do Brasil Central.