O Papa Leão XIV não precisará de tratamento adicional para o câncer de pulmão diagnosticado recentemente, informou o Vaticano nesta quarta-feira (21).

A decisão segue a lógica da oncologia: quando o adenocarcinoma é descoberto cedo e retirado por inteiro, a operação pode ser o tratamento completo. Tumores que alcançam os linfonodos, deixam células na borda do tecido removido ou carregam certas alterações genéticas costumam pedir reforço com remédios ou radioterapia.

De acordo com a nota, assinada pelos médicos Luigi Carbone e Stefano Margaritora, a doença estava localizada e a cirurgia realizada em 13 de outubro foi suficiente para removê-la. O comunicado não detalha o estadiamento do tumor nem o resultado das mutações.

Nesta quarta-feira, o pontífice, de 71 anos, participou da primeira audiência semanal desde a operação e passeou de papamóvel pela praça.

Cirurgia basta em casos menos avançados

O adenocarcinoma nasce nas células que revestem as vias respiratórias e costuma se formar na parte mais periférica do pulmão. É o tipo mais comum de câncer de pulmão e o que mais aparece também em quem nunca fumou, apesar do cigarro ser a principal causa da doença.

Enquanto o tumor fica restrito ao pulmão, retirar a parte afetada pode eliminá-lo, e esse é o cenário de maior chance de cura. O oncologista Stephen Stefani, do grupo Oncoclínicas e especialista da Americas Health Foundation, afirma que, quando o tumor é identificado cedo, a chance é altíssima.

Tumor quase nunca dá sinais

Chegar cedo ao diagnóstico é o ponto difícil. O câncer de pulmão costuma crescer em silêncio, e os tumores da borda do órgão geralmente não provocam sintomas respiratórios. Quando os sinais surgem, são tosse que não alivia, falta de ar desproporcional ao que a pessoa está acostumada, infecções de repetição e perda de peso sem motivo.

Um levantamento da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), com dados do Painel de Oncologia do Sistema Único de Saúde (SUS), mostra que 87% dos pacientes com estadiamento registrado entre 2020 e 2025 descobriram a doença nos estágios 3 e 4, os mais avançados.