O futuro da missão de paz da ONU em Saara Ocidental ficou incerto após os Estados Unidos e Rússia vetarem resoluções de renovação da operação, apenas um dia antes do mandato expirar.

A missão, conhecida como MINURSO, foi estabelecida em 1991 para supervisionar um plano de assentamento e cessar-fogo entre Marrocos e a Frente Polisario, representante dos povo saharauí, em um conflito territorial que já dura meio século.

Marrocos considera Saara Ocidental, ex-colônia espanhola rica em minerais, como seu território, enquanto a Frente Polisario, apoiada pela Argélia, busca estabelecer um estado independente chamado República Sahraui.

Conflito diplomático

Nas últimas semanas, os EUA apresentaram uma resolução que estendia o mandato por um ano, mas estabelecia o plano de autonomia marroquino como base única para negociações e cortava a composição militar da missão. No ano anterior, o Conselho de Segurança da ONU apoiou a proposta marroquina como a solução mais viável para o território em disputa.

A resolução dos EUA foi rejeitada pela Rússia, que criticou-a como uma abordagem unilateral. Dezembro membros do Conselho de Segurança votaram a favor, três se abstiveram.

A Rússia argumentou que o Conselho de Segurança não pode predeterminar questões de soberania e que a abordagem unilaterais não são aceitáveis.

Em seguida, os EUA vetaram uma proposta russa que renovava o mandato por mais um ano, mantendo os termos anteriores.

Reações

O Palácio Real de Marrocos celebrou a falha na renovação da missão de paz, afirmando que isso deve marcar o fim da participação do Conselho de Segurança e a retirada do item da pauta.

A representante da Frente Polisario junto à ONU, Sidi Omar, agradeceu a Rússia por vetar a resolução dos EUA, que ele disse ter ameaçado a liberdade do povo saharauí de exercer seu direito inalienável à autodeterminação e independência.