O mercado físico do boi gordo chega ao final de outubro sinalizando uma forte valorização nos preços da arroba e estabelecendo novos recordes nominais. Em novembro, novas altas devem ser registradas.
Segundo o analista de Safras & Mercado Fernando Iglesias, a oferta restrita e as escalas de abate concentradas entre cinco e sete dias úteis ajudaram no reajuste das cotações.
As referências avançaram para valores entre R$ 385,00 a R$ 395,00 por arroba em São Paulo, com negócios mais frequentes a R$ 400,00.
“O movimento de alta também alcançou as principais regiões produtoras do país. A expectativa de maior demanda chinesa durante novembro e dezembro reforçou a necessidade de compra dos frigoríficos.”
O que esperar de novembro?
No entanto, Iglesias alerta que a intensidade dessa demanda dependerá da gestão das cotas chinesas e do ritmo efetivo das contratações. “Na B3, vários vencimentos superaram R$ 400 por arroba, com máxima de R$ 407 no contrato novembro.”
Os R$ 400 por arroba na B3 é uma realidade e deve perdurar ao longo de novembro. A opinião é do coordenador da equipe de inteligência de mercado da Scot Consultoria, Felipe Fabbri.
Segundo ele, uma série de indicadores mostra que os preços do mercado pecuário seguirão firmes, com altas consistentes ao longo do mês que se inicia no próximo domingo (1).
“A cota da China está em cena, levando a uma corrida maior dos exportadores de carne bovina e do envio para o país asiático. Estamos vendo indústrias com grande participação de China em seu portfólio intensificando a busca por boiada para ter esse suporte.”
Contudo, o mercado interno é o que mais chama a atenção do especialista no momento. Isso porque a isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil, o aumento médio da renda do brasileiro, o fim das plataformas virtuais de apostas (bets) e o início de pagamento do 13º salário tendem a impulsionar o consumo de carne bovina.
Somado a esses fatores, Fabbri ressalta que a indústria não tem conseguido encontrar a oferta de que necessita, fazendo com que os frigoríficos estejam mais dispostos a pagar mais pela arroba.
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