A capacidade de o Cerrado armazenar carbono depende de fatores ambientais e do uso da terra. É o que mostra um estudo realizado por pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM).

O trabalho se baseou em dados de 30 pesquisas em diferentes regiões do bioma para entender como o clima, as características do solo e o manejo das plantas influenciam esse armazenamento.

As análises investigaram diferentes formas de uso da terra, incluindo vegetação nativa, agricultura convencional, plantio direto, pastagens e sistemas integrados. O objetivo foi compreender a quantidade total de carbono no solo, como o uso da terra interfere em sua dinâmica e que fatores favorecem sua permanência no solo.

Diferentes formas de carbono

Uma das principais conclusões é que as diferentes formas de carbono presentes no solo respondem a fatores distintos. O chamado carbono orgânico particulado é formado principalmente por resíduos de plantas, como folhas, raízes e outros materiais maiores, e é mais sensível às mudanças nas condições ambientais e no manejo.

Já o carbono associado aos minerais fica mais protegido da decomposição e apresenta relação mais forte com a quantidade de silte e argila presentes no solo.

‘Quanto mais silte e argila se tem, mais acúmulo de carbono se vai ter, porque esses minerais terão mais interações com o carbono. Então ele vai estar mais protegido nesse solo, favorecendo essa proteção organomineral do carbono’, disse a pesquisadora.