A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) entrou no centro da disputa presidencial e levou as campanhas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL-SP) a reavaliar suas estratégias. Enquanto parte da campanha à reeleição de Lula defende que o presidente mantenha distância de Alexandre de Moraes, a campanha de Flávio à Presidência pretende ampliar os ataques ao ministro no discurso e na propaganda.

No entorno de Flávio, a avaliação é que o prolongamento da crise pode favorecer eleitoralmente o candidato. A campanha pretende associar politicamente Alexandre de Moraes a Lula e manter o STF na comunicação diária e no horário eleitoral. Nos bastidores, a estratégia é resumida pela expressão 'Lula é Moraes'. A orientação, porém, é evitar ataques ao Supremo como instituição e concentrar as críticas em Moraes e em decisões específicas de ministros.

Do lado de Lula, parte da campanha defende que o presidente marque distância de Moraes, embora aliados avaliem que o cargo de presidente limite críticas diretas ao ministro. A tensão na campanha aumentou com a recondução de Andrei Rodrigues ao comando da Polícia Federal (PF), um dia depois de seu afastamento por André Mendonça.