g1 20 anos: Medicina para quem é da periferia Angelica Toledo, de 37 anos, faz plantões como médica generalista em hospitais e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de São Paulo. Nascida e criada no extremo leste da capital, em Cidade Tiradentes, foi aprovada em 2018 na Universidade de São Paulo (USP), uma das mais disputadas do país. A trajetória de Angélica, contada agora dentro da série especial g1 20 anos, é também um retrato de tantas outras que o portal já registrou em duas décadas: as histórias de brasileiros que reescreveram suas vidas através da educação.

A paulista narra a própria jornada como se tivesse desrespeitado (da melhor maneira possível) um roteiro que parecia já desenhado para ela. “É uma realidade travada ali, na vida de periferia: você vai terminar o ensino médio, arranjar um emprego e é isso. Eu não conhecia ninguém que tivesse feito Medicina.

Era algo totalmente fora do meu universo.” Em 2008, justamente para acelerar essa entrada no mercado de trabalho, começou um curso técnico em análises clínicas e emendou com outro, em saúde bucal. Foi quando se deu conta de dois fatos que pareciam inconciliáveis: a enorme defasagem de conteúdos que carregava após o ensino médio em escola pública; o interesse em se aprofundar e fazer faculdade de Medicina. “Pelo menos na minha escola, a impressão que eu tinha é de que ia só passando [de ano], sem necessariamente estar aprendendo algo.

No técnico, eu realmente precisava aprender para evoluir”, diz.