O Brasil vai às urnas neste domingo (4) sem saber se a disputa presidencial termina hoje ou se teremos mais algumas semanas de campanha. As últimas pesquisas mostram uma eleição apertada, mas ainda sujeita à decisão dos indecisos e ao comparecimento dos eleitores.

Quem vai votar?

A esta altura, as campanhas precisam transformar apoio em voto. Não adianta o eleitor declarar preferência por um candidato e deixar de comparecer.

É aí que entra a abstenção. Na minha avaliação, a pergunta principal não é apenas quantos brasileiros ficarão em casa, mas quais eleitores deixarão de votar.

Se as ausências ocorrerem na mesma proporção entre os apoiadores de todos os candidatos, os percentuais praticamente não mudam. Se atingirem mais os eleitores de um deles, a disputa pode tomar outro rumo.

Primeiro lugar não basta

Para vencer a eleição presidencial no primeiro turno, é necessário obter mais da metade dos votos válidos. A mesma regra vale para os governadores. Brancos e nulos não entram nessa conta.

Quem falta não transfere seu voto para o candidato que está na frente. Mas sua ausência pode alterar a proporção dos votos recebidos por quem compareceu.

Há outro cuidado: não podemos pegar o percentual de uma pesquisa e acrescentar um suposto ganho com a abstenção. A Quaest, por exemplo, utilizou um modelo de ‘eleitor provável’ que já considera estimativas de comparecimento.

Os indecisos também podem fazer diferença. No levantamento estimulado do Datafolha, em que os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados, 3% ainda não haviam definido seu voto. Em uma disputa apertada, essa parcela merece atenção.

Esses eleitores podem ampliar uma vantagem ou reduzir a distância entre os candidatos. Mas não sabemos quantos irão às urnas nem como distribuir suas escolhas.