GOMA, República Democrática do Congo — Acima das densas florestas dos parques protegidos da bacia do Congo, na África Central, ecoam os sons típicos da região, como os cantos de pássaros endêmicos e os barulhos de primatas. Abaixo da copa das árvores, os parques nacionais de Maiko, Salonga, Kahuzi-Biega e Virunga estendem-se por milhões de hectares. Por séculos, antes mesmo dessas áreas serem protegidas, os povos indígenas Twa viviam, exploravam e moldavam esses territórios, apenas para serem expulsos durante o século XX.

"Vivemos em harmonia com a floresta", afirma Julien Basimika, jovem homem Mutwa, um dos povos Twa na República do Congo. "Protegíamos tudo que precisava ser protegido, porque nossas vidas dependiam disso. Se começássemos a destruir a floresta, nós mesmos sofreríamos as consequências." Hoje, muitos descendentes dessas pessoas expulsas vivem em extrema pobreza devido à falta de terra, conflitos armados e discriminação.

Discussões sobre como melhor envolver essas comunidades na conservação alimentam debates apaixonados entre gerenciadores de áreas protegidas, ambientalistas, advogados e defensores dos direitos humanos: eles deveriam retornar aos seus territórios ancestrais ou não? Deveriam participar de projetos ambientais? Se sim, quais? Como mitigar os conflitos armados e a participação dos indígenas no desmatamento ilegal, que complicam a situação?

Entre as comunidades vivendo próximo a esses quatro parques nacionais, há diferentes visões sobre como abordar esses problemas. Enquanto isso, os policymaker discutem como melhor envolver as comunidades no Belém Call to Action, anunciado em novembro de 2025, que visa frear e revertar a desflorestação e a degradação florestal.