Keiko Fujimori assumiu a presidência do Peru na terça-feira, marcando o retorno do movimento político que não governava o país há mais de 25 anos. O fujimorismo, que combina neoliberalismo, populismo e políticas governamentais rigorosas, foi característico da presidência de seu pai, Alberto Fujimori, entre 1990 e 2000.

A nova presidente enfrenta um ambiente de polarização social e promete aumentar a segurança, promover a recuperação econômica e melhorar os setores de saúde e educação.

Prioridade em Segurança Pública

Fujimori já indicou que a segurança será a principal prioridade de seu governo. Entre as medidas propostas estão o aumento da vigilância por vídeo, uma presença policial mais forte, punições mais severas para crimes e gangues organizadas, além da construção de quatro mega-prisões semelhantes às de El Salvador.

Entretanto, Eliana Carlin, especialista em ciência política da Pontifícia Universidade Católica do Peru, expressou preocupações sobre o impacto das medidas nos direitos humanos. "Por trás [dessas ações] existem posições ideológicas fortes que justificam submeter a polícia e as forças armadas apenas à jurisdição militar", afirmou.

Além de focar na segurança, Fujimori planeja avançar em projetos de infraestrutura, atrair investimentos privados, construir novas escolas e hospitais, e modernizar o país com tecnologia e inteligência artificial. Contudo, a execução dessas promessas dependerá da capacidade do governo de encontrar os recursos necessários, em um cenário de déficits significativos em infraestrutura e serviços essenciais.

Desafios na Política Externa

A política externa será outro grande desafio para a administração de Fujimori. A abertura do porto e hub logístico de Chancay transformou o Peru em um ator estratégico no comércio regional, intensificando a rivalidade geopolítica entre Estados Unidos e China.

O projeto, estimado em US$ 3,5 bilhões, faz parte da Iniciativa do Cinturão e Rota da China. Quando estiver totalmente operacional, o porto deve reduzir o tempo de transporte entre o Peru e a China de aproximadamente 40 para cerca de 23 dias, tornando Chancay uma nova porta de entrada para a Ásia.

Graças ao porto e a outros investimentos, a China se tornou o principal parceiro comercial do Peru, com o comércio bilateral superando os US$ 40 bilhões em 2024. Em segundo lugar, está os EUA, com quase US$ 25 bilhões em comércio.

Michael Shifter, professor adjunto da Universidade Georgetown, destacou a importância do Peru nesse contexto. "A competição entre Pequim e Washington é mais evidente no Peru", observou.

Fujimori também planeja expandir a cooperação com os EUA, especialmente nas áreas de segurança e combate ao crime organizado. No entanto, Shifter alerta que manter um equilíbrio delicado entre os interesses dos dois países não será uma tarefa fácil.

Com a posse de Fujimori, o Peru entra em um novo capítulo na política latino-americana, onde forças conservadoras têm ganhado influência. A expectativa é que o país adote uma postura externa mais alinhada aos EUA, embora a relação com a China continue sendo crucial.