O crescimento das exportações brasileiras é uma boa notícia. Produzimos em escala, atendemos mercados exigentes e temos na agropecuária uma fonte decisiva de receita externa.

No entanto, quando comemoramos o valor embarcado, precisamos fazer duas perguntas: para quem estamos vendendo? E quanto trabalho foi feito no Brasil antes de o produto sair daqui?

A China é um parceiro fundamental. Em 2025, comprou aproximadamente US$ 100 bilhões dos US$ 349 bilhões exportados pelo Brasil. Essa relação deve continuar forte, mas precisamos acompanhar o que os chineses planejam para sua própria produção de alimentos.

O urgente e o importante

É urgente continuar fazendo o que fazemos bem: produzir, exportar e atender os clientes que já conquistamos. O produtor não pode esperar pelo futuro para pagar as contas de hoje.

O importante é preparar esse futuro enquanto ainda temos uma posição forte. Quando um grande comprador muda sua estratégia, já é tarde para começar a procurar alternativas. Abrir mercados exige anos de negociação, acordos comerciais, autorização sanitária e presença constante das empresas brasileiras no exterior.

Também precisamos vender uma pauta mais variada. Exportar soja, milho, carne e outras commodities é uma competência do Brasil. Mas parte dessa produção pode ser transformada aqui, quando houver mercado e condições para isso. A soja pode sair como grão ou seguir na cadeia como óleo, farelo, proteína animal e biocombustível.

Cada etapa economicamente viável realizada no país movimenta fábricas, transportadoras, serviços e pesquisa. Cria emprego, gera renda e incorpora ao produto a inteligência e a tecnologia que desenvolvemos. É a riqueza que circula por mais tempo na economia brasileira.

A transição energética também muda a demanda

O mesmo raciocínio vale para a energia. O Brasil tem experiência com etanol e biodiesel, mas o mundo testa outras soluções.