O agronegócio brasileiro registrou 448 pedidos de recuperação judicial no segundo trimestre, volume 20,7% menor que o observado no mesmo período do ano anterior. Foi a primeira queda para um segundo trimestre desde 2022, segundo análise da Serasa Experian divulgada nesta segunda-feira (19).

Apesar de positiva diante do atual cenário de endividamento dos produtores rurais, a desaceleração deve ser interpretada com cautela, disse o head de agronegócio da Serasa Experian, Marcelo Pimenta.

Contextualização

A retração nesse segundo trimestre registrada em pelo menos dois dos três perfis analisados pode estar relacionada a um período de maior entrada de receitas para parte dos produtores, à sazonalidade das atividades agropecuárias e ao avanço de renegociações com credores, explicou Pimenta.

Segundo ele, o ambiente segue desafiador, com custos elevados e crédito mais seletivo.

Distribuição geográfica e por atividade

O Mato Grosso, principal produtor de grãos, oleaginosas e gado do Brasil, continuou liderando o número de pedidos de recuperação judicial entre os estados, com 107 registros. Em seguida aparecem Goiás (84), São Paulo (72), Minas Gerais (54) e Paraná (42).

Por atividade, o cultivo de soja — principal cultura do país — concentrou 70 solicitações de recuperação judicial, seguido pela criação de bovinos, com 28, segundo a Serasa.