A peste é frequentemente associada a ratos, cidades medievais lotadas e epidemias devastadoras que atingiram Europa durante e após o período medieval.
No entanto, novas pesquisas publicadas na revista Nature sugerem que a doença já era uma ameaça letal há 5.500 anos. Naquela época, ela estava matando pessoas em pequenos grupos móveis de caçadores-coletores, muito antes da agricultura e vida urbana criarem as condições para grandes surtos de peste.
Descobertas baseadas em DNA antigo
Um grupo internacional de pesquisadores estudou DNA antigo recuperado de restos humanos em quatro sítios de sepultamento de caçadores-coletores na região de Baikal, na Sibéria Oriental. Ao sequenciar material genético preservado nos dentes, os cientistas conseguiram reconstruir genomas bacterianos antigos e identificar formas desconhecidas de peste pré-históricas.
‘‘Seja a peste mais leve ou virulenta, sempre foi um tema de debate, mas nossos achados demonstram que essas antigas cepas já eram altamente letais,’’ afirma o coautor Eske Willerslev, professor da Universidade de Copenhague e da Universidade de Cambridge.
A peste pode ter sido mais letal do que se pensava
Estudos anteriores mostraram que cepas antigas de Yersinia pestis, a bactéria que causa peste, faltavam alguns genes que permitiram que a peste bubônica se espalhasse eficientemente através de roedores e seus hospedeiros. Isso levou cientistas a supor que as versões mais antigas da bactéria provavelmente não podiam causar surtos severos.
Os novos achados desafiam essa visão.
No local dos maiores cemitérios, os pesquisadores encontraram um número incomum de crianças e jovens adolescentes entre aqueles que haviam morrido. Arqueólogos lutaram por décadas para explicar por que tantas crianças foram enterradas nesse período curto.
‘‘O número incomum de crianças e o curto período foram um verdadeiro enigma que tentamos resolver desde os anos 1990. Descobrir que a peste era a causa é extraordinário, mas faz muito sentido,’’ afirma o arqueólogo Andrzej Weber da Universidade de Alberta, líder do projeto de arqueologia de Baikal.
Comentários (0)
Entre ou cadastre-se para comentar.