O preço do boi gordo avançou em agosto, sustentado principalmente pela menor oferta de animais prontos para abate e pela demanda elevada, especialmente no mercado externo. Segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a arroba registrou valorização tanto na comparação mensal quanto na anual.

Pecuaristas seguram animais à espera de preços maiores

A menor disponibilidade de bovinos prontos para o abate foi um dos principais fatores de sustentação das cotações. De acordo com pesquisadores do Cepea, a expectativa de preços ainda mais elevados no curto prazo levou parte dos pecuaristas a se retrair das negociações de novos lotes, reduzindo a oferta disponível aos frigoríficos.

Outro fator que pode continuar dando suporte ao mercado é a expectativa de uma oferta de animais confinados menor neste ano do que a registrada em 2025. Com a aproximação do último trimestre, a participação mais limitada do gado de cocho tende a restringir a entrada adicional de animais terminados no mercado e, consequentemente, reduzir o espaço para quedas mais acentuadas da arroba. Esse cenário pode ganhar ainda mais força caso as exportações brasileiras de carne bovina permaneçam aquecidas.

Carne bovina também fica mais cara no atacado

A valorização não ficou restrita ao animal vivo. No atacado da Grande São Paulo, a carcaça casada bovina teve preço médio de R$ 24,06 por quilo em agosto, avanço real de 1,9% frente a julho e de 9,8% na comparação com o mesmo mês do ano passado. Mesmo com a alta da arroba, a carne bovina continuou apresentando vantagem na relação de preços. Segundo o Cepea, a diferença média entre a carcaça e o boi gordo foi de R$ 14,98 por arroba em agosto. A relação permanece favorável à carcaça bovina desde março de 2023.