O governo de Donald Trump tem ampliado a pressão sobre processos políticos e eleitorais de outros países, e o caso brasileiro faz parte dessa estratégia, conforme analisa o professor de Relações Internacionais da FGV e pesquisador do Carnegie Endowment, Oliver Stuenkel.

Pressão sobre disputas eleitorais

Entre as exigências enviadas pelo governo americano ao Brasil durante negociações sobre tarifas, constava a garantia de que 'dissidentes políticos' pudessem disputar as eleições de 2026. O governo brasileiro rejeitou essa e outras propostas, afirmando que questões políticas, judiciais e de soberania não estariam na mesa de negociação.

Stuenkel destaca que o documento revela que a política tarifária americana foi usada com objetivos além do comércio, sendo utilizada como ferramenta política.

Caso argentino e hondurenho

O professor cita dois casos de pressão americana sobre disputas eleitorais na região: na Argentina, Trump manifestou preferência por um lado durante a eleição legislativa do ano passado, e na Honduras, ameaçou uma grave crise na relação bilateral caso seu candidato preferido não fosse eleito.