O futebol italiano vive um momento de reestruturação após a contratação de Roberto Mancini como novo técnico da seleção, em meio a uma crise que resultou na saída de Paolo Maldini e Leonardo da FIGC em apenas 16 dias. A situação se agravou após a recusa de vários treinadores renomados, incluindo Pep Guardiola e Carlo Ancelotti, e culminou na necessidade de uma nova liderança.

Crise e reestruturação no futebol italiano

A seleção italiana enfrenta um período de incertezas após a eliminação nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 2022 e a consequente demissão do ex-treinador Gennaro Gattuso. A derrota para a Bósnia-Herzegovina em março foi um dos pontos críticos que impulsionaram a pressão por reformas no futebol do país. O ex-jogador Franco Baresi destacou que a Itália não pode continuar a chegar apenas para as fases de qualificação e pediu um mea culpa coletivo.

Em resposta a essas demandas, Gabriele Gravina, presidente da FIGC desde 2018, renunciou ao cargo, assim como Gianluigi Buffon, ex-goleiro da Juventus e chefe de delegação da seleção. Giovanni Malago, ex-presidente do Comitê Olímpico Nacional Italiano, assumiu a presidência da FIGC, prometendo uma nova era para o futebol italiano.

A busca por um novo treinador

Malago contratou Maldini para liderar o futebol italiano, desde as categorias de base até a seleção principal, com a missão de encontrar um novo técnico. A primeira opção foi Pep Guardiola, que recusou a oferta, seguida pela negativa de Carlo Ancelotti, que permanece como treinador do Brasil. A tentativa de nomear Andrea Pirlo também não se concretizou, em parte devido a críticas sobre sua associação com uma empresa de apostas russa.

Com a saída de Maldini e Leonardo, Malago se viu obrigado a buscar Mancini, que já havia levado a Itália ao título da Euro 2020, apesar de ter sido responsável pela eliminação da seleção nas qualificatórias para a Copa do Mundo de 2022. Mancini, que havia deixado a seleção para assumir um cargo na Arábia Saudita, retorna em um momento crítico.

Desafios e perspectivas futuras

A Itália enfrenta desafios profundos em sua estrutura de futebol, com um histórico de insucessos que se estende por duas décadas, exceto pela vitória na Euro 2020. Desde a conquista do quarto título mundial em 2006, a seleção foi eliminada nas fases de grupos em 2010 e 2014 e não conseguiu se classificar para os mundiais de 2018 e 2022.

Um relatório da FIGC apontou que a média de idade da Serie A é superior à de outras ligas europeias, e apenas 32,1% dos jogadores da liga são elegíveis para a seleção. A federação também sugeriu que mudanças na legislação permitam um financiamento destinado ao desenvolvimento de jovens talentos no futebol italiano.