"A conjuntura global que o próximo presidente do Brasil vai encontrar, daqui alguns meses, será muito mais complexa do que a de hoje." A análise é do economista Otaviano Canuto, que leciona na Elliott School of International Affairs da George Washington University, na capital dos Estados Unidos, e que foi vice-presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), entre os anos de 2007 e 2009, além de diretor do Banco Mundial entre as décadas de 2000 e 2010. É que, para além de possíveis alinhamentos internacionais "automáticos" — Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com alguns partidos de esquerda e seus aliados atuais, e Flávio Bolsonaro (PL) mais próximo de governos de direita — é um consenso que a geopolítica atravessará mudanças profundas já no ano que vem. Uma serão os impactos das eleições legislativas dos Estados Unidos, as chamadas midterms, sobre as dinâmicas do governo do presidente republicano Donald Trump.
Elas serão realizadas em 3 de novembro. As sondagens apontam para a formação de uma maioria do Partido Democrata no Congresso americano — o que, em tese, vai gerar mais fricções para Trump até o fim do seu mandato, em 2029. Outras serão os pleitos presidenciais na França, entre abril e maio de 2027, e na Argentina, em outubro, sem contar a eleição parlamentar na Espanha, em agosto, que pode reorganizar o poder no país.
É o que Vinícius Mariano de Carvalho, professor do Departamento de Estudos de Guerra do King's College, em Londres, no Reino Unido, chama de "surrealpolitik", uma torção do conceito de realpolitik, usado pelos especialistas em relações internacionais para descrever acordos produzidos a partir dos interesses reais dos atores envolvidos.
Comentários (0)
Entre ou cadastre-se para comentar.