Brasil e Coreia do Sul firmaram novos acordos de cooperação em áreas como comércio, tecnologia e investimentos, durante o Brazil-Korea Business Roundtable realizado em São Paulo nesta terça-feira (28). O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, enfatizou que a aproximação entre os dois países é uma "necessidade estratégica".

"Esse pode ser o momento em que nossos dois países, usando a metáfora de nossa cooperação espacial, podem decolar e mirar objetivos mais altos", afirmou Alckmin, destacando a importância dos acordos para o fortalecimento das relações bilaterais.

Aumentando a parceria econômica

A iniciativa, organizada pela ApexBrasil e pela Federação das Indústrias da Coreia (FKI), ocorre no contexto da visita oficial do presidente sul-coreano, Lee Jae Myung. Em 2025, o comércio entre Brasil e Coreia do Sul movimentou US$ 10,8 bilhões, enquanto os investimentos sul-coreanos no Brasil totalizaram US$ 8,9 bilhões. Alckmin expressou otimismo, afirmando que é possível estabelecer uma meta de quase dobrar esses números.

No evento, o vice-presidente também mencionou a visita sanitária que a Coreia do Sul realizará a produtores de carne brasileiros, ressaltando a qualidade e a sustentabilidade do rebanho brasileiro. "Estamos muito otimistas com a visita sanitária agora em agosto", disse.

Oportunidades em diversos setores

Alckmin abordou as negociações entre o Mercosul e a Coreia do Sul, afirmando que ambas as partes buscam intensificar o diálogo e que o Brasil já iniciou consultas internas sobre o tema. Ele defendeu a necessidade de fortalecer a cooperação em infraestrutura, tecnologia e minerais críticos, enfatizando que o Brasil deseja avançar além da exportação de matérias-primas, buscando parcerias em industrialização e transferência de tecnologia.

O presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, reiterou a importância de um ambiente comercial estável, destacando que a Coreia do Sul importa anualmente cerca de US$ 600 bilhões, mas que o Brasil representa apenas 1% desse mercado. Müller identificou oportunidades para incrementar a cooperação em setores como proteínas animais, frutas, café, biocombustíveis e tecnologia.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, também participou do evento, destacando a atuação de empresas sul-coreanas no Brasil e as parcerias em setores como petróleo e defesa. Ele mencionou que a inteligência artificial é uma prioridade do governo brasileiro e que há espaço para cooperação em descarbonização e agronegócio.

Questionado sobre a influência das tarifas dos Estados Unidos nas relações comerciais com a Coreia do Sul, Alckmin esclareceu que esse tema não foi abordado durante a reunião, reforçando que a pauta foi exclusivamente Brasil e Coreia do Sul. Ele ainda afirmou que o Brasil está comprometido em negociar as tarifas consideradas injustas e que a reciprocidade comercial não deve ser vista como uma retaliação.