Foto: Pixabay/arte Canal Rural Começou a valer nesta quinta-feira (3) a suspensão do Brasil da lista de exportadores de produtos de origem animal para a União Europeia. Enquanto há sinalizações de que o bloqueio à carne de aves, aos ovos e ao mel está perto de ser resolvido , a proteína bovina encontra obstáculos mais difíceis de superar. O analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias considera “muito difícil” o Brasil conseguir reverter esse impedimento no curto prazo porque as autoridades europeias se mostraram, ao longo das negociações, bastante irredutíveis em relação à questão do uso de antimicrobianos na produção pecuária brasileira .

“Como o ciclo da bovinocultura é mais longo em relação à cadeia avícola, teremos, no mínimo, dois anos de ausência da Europa nas compras de carne bovina brasileira”, considera. Além disso, em termos de padrão de produto comprado pelo mercado europeu (cortes nobres e desossados da parte traseira do animal), Iglesias ressalta que o Brasil dificilmente conseguirá substitui-lo por outros compradores. Segundo o analista, a única questão que pode servir de alento ao setor nacional é que a Europa importa relativamente pouca carne bovina brasileira, em torno de US$ 1 bilhão ao ano, enquanto a China, principal compradora, gera quase nove vezes mais receita cambial ao Brasil neste segmento .

“A má notícia é que a Europa é um mercado que serve de vitrine, já que outros países costumam se inspirar nas ações europeias para balizar as suas próprias decisões”, enfatiza Iglesias.