A Football Association (FA) e a Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf) manifestaram sua oposição ao plano da Fifa de vender participações da Copa do Mundo a investidores privados. A crítica foi formalizada em declarações emitidas nesta quarta-feira, levantando preocupações sobre a governança da entidade máxima do futebol mundial.
Reações da FA e da Concacaf
Em nota, a FA informou que não teve acesso aos detalhes das propostas controversas e expressou sérias preocupações em relação à governança da Fifa, presidida por Gianni Infantino. Debbie Hewitt, presidente da FA e uma das vice-presidentes da Fifa, afirmou que a entidade estava alheia aos planos que estão em estágio avançado. A Fifa estabeleceu um prazo até 19 de setembro para que suas 211 associações-membro decidam sobre um pagamento inicial de US$ 20 milhões pela venda de 20% de uma nova entidade comercial, a Fifa Forward Enterprise (FFE), avaliada em US$ 20 bilhões.
A declaração da FA é significativa, pois representa a primeira vez que a entidade critica a Fifa sob a liderança de Infantino, que se manteve em silêncio durante a polêmica envolvendo Folarin Balogun durante a Copa do Mundo e apoiou a escolha da Arábia Saudita como sede do torneio de 2034. “Estávamos completamente alheios a esta proposta e não temos detalhes substanciais, incluindo quais são as condições envolvidas”, afirmou a FA.
Críticas à falta de processo
A Concacaf também se juntou ao coro de críticas, expressando preocupações sobre a governança da Fifa e a ausência de um processo adequado. O presidente da Concacaf, Victor Montagliani, que desempenhou um papel fundamental na organização da Copa do Mundo de 2026, afirmou que a entidade tomou conhecimento do assunto apenas por meio de reportagens da mídia e de um comunicado. “Estamos profundamente preocupados com a falta de devida processo”, afirmou a Concacaf em sua declaração.
Montagliani, que também é vice-presidente da Fifa, destacou a responsabilidade coletiva de agir nos melhores interesses do futebol, enfatizando que todas as decisões devem ser guiadas por boa governança e processos robustos.
A proposta da Fifa de colaborar com o banco JP Morgan para estabelecer a Fifa Forward Enterprise, que será parcialmente vendida para arrecadar até US$ 4,2 bilhões para projetos de desenvolvimento do futebol, gerou surpresa entre outras partes interessadas e reacendeu divisões no futebol mundial.
Reações à proposta de venda
A Uefa, a Concacaf e a Confederação Asiática de Futebol já se preparavam para contestar os planos da Fifa de expandir a Copa do Mundo para 64 equipes em 2030. Há receios de que a entrada de investidores privados torne a expansão inevitável e pressione a realização de Copas do Mundo com maior frequência, dada sua enorme valorização comercial.
A Uefa acusou a Fifa de tentar “vender a alma do futebol” e convocou reuniões de emergência para planejar uma resposta coordenada, que pode incluir ações legais. O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, também criticou o plano, ressaltando que a Copa do Mundo não pertence a investidores e que “não é um produto para ser vendido”.
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