Em maio deste ano, o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou constitucional a Lei nº 13.452/2017, que alterou os limites do Parque Nacional do Jamanxim, no Pará, para viabilizar a Ferrogrão (EF-170). A decisão afastou um dos principais entraves jurídicos ao avanço do projeto, considerado chave para melhorar o escoamento de grãos pelo país, embora a implantação da ferrovia continue condicionada ao cumprimento das exigências de licenciamento ambiental.

Desafios do transporte rodoviário

O projeto ganha relevância diante de um desafio histórico do Brasil: a dependência do transporte rodoviário. Estudo do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), com dados brasileiros compilados a partir de fontes como ANTT, Antaq e Conab, mostra que 54% da soja destinada à exportação em 2023 chegou aos principais portos brasileiros por caminhões, enquanto 33% utilizaram ferrovias e apenas 12% hidrovias.

No exterior, nos Estados Unidos, a proporção foi praticamente inversa: somente 14% das exportações de soja utilizaram caminhões, frente a 38% por ferrovias e 48% por barcaças.

A China também evidencia o potencial de uma matriz mais diversificada. Em 2025, as hidrovias responderam por aproximadamente 55% de todo o transporte de cargas do país medido em tonelada-quilômetro, enquanto rodovias representaram cerca de 29% e ferrovias, 13%, segundo o Escritório Nacional de Estatísticas chinês.

Os caminhos para aproximar o Brasil de uma logística mais integrada estarão no centro do Painel 13C: ‘Logística e Infraestrutura: O Futuro do Escoamento da Produção’, do GAFFFF 2026. O debate será moderado por Elisangela Pereira Lopes, assessora técnica da Comissão Nacional de Logística e Infraestrutura da CNA, e contará com outros convidados.