Aprovação do PRIMA Implant

Um implante retiniano que restaura parcialmente a visão em indivíduos com uma forma comum de cegueira foi aprovado para uso na Europa. Este é o primeiro dispositivo desse tipo a obter aprovação em qualquer lugar do mundo, permitindo que pessoas com perda severa de visão possam ler novamente.

“Tivemos pacientes que conseguiram reconhecer o rosto da Rainha e outros que desenharam a Ópera de Sydney através do dispositivo,” afirma Darius Shahida, representante da Science Corporation, empresa responsável pelo implante.

Funcionamento e Benefícios

Denominado PRIMA, o implante é projetado para restaurar a visão central funcional, essencial para ver detalhes e ler, em pacientes com atrofia geográfica. Essa condição, que afeta cerca de 8 milhões de pessoas em todo o mundo, é uma forma progressiva e irreversível de degeneração macular relacionada à idade, que resulta na deterioração da mácula, uma parte da retina.

Atualmente, as opções de tratamento para a atrofia geográfica são limitadas. Nos Estados Unidos, existem dois medicamentos aprovados que bloqueiam proteínas potencialmente danosas para a retina, mas que não conseguem recuperar a visão perdida. “O implante PRIMA é uma conquista impressionante,” comenta Sunir Garg, do Wills Eye Hospital, ressaltando a importância da nova tecnologia.

O dispositivo, do tamanho de uma cabeça de alfinete, é inserido sob a retina e funciona em conjunto com óculos equipados com uma câmera montada na estrutura. Esses óculos capturam e processam imagens, projetando os resultados nos chips do implante por meio de luz infravermelha, um comprimento de onda que não interfere na visão existente.

Os chips convertem a luz infravermelha em pulsos elétricos que estimulam os neurônios conhecidos como células bipolares, que geralmente não são afetadas pela degeneração macular. Este sistema permite que as células bipolares gerem sinais elétricos que podem ser interpretados pelo cérebro, contornando as células que normalmente realizam essa função.

Além disso, os óculos geram eletricidade diretamente a partir da luz, assim como painéis solares, eliminando a necessidade de uma fonte de energia conectada.

Resultados e Considerações Finais

Em um estudo de pequeno porte publicado em outubro do ano passado, o PRIMA conseguiu restaurar a visão central e melhorar a acuidade visual em cerca de 80% dos casos. “A visão normal nos EUA é 20/20, enquanto a cegueira é considerada 20/200,” explica Frank Brodie, também da Science. “Pacientes que usaram o PRIMA alcançaram cerca de 20/160, saindo da condição de cegueira.”

A maioria dos efeitos colaterais foram relacionados à cirurgia e se resolveram em até dois meses. “A recuperação física é rápida, e algumas pessoas se sentem melhor em um dia,” diz Brodie, enfatizando a importância do treinamento para o uso adequado dos óculos após o implante.

Antes que a intervenção seja amplamente utilizada, mais pesquisas são necessárias para avaliar a segurança a longo prazo e os benefícios em diferentes perfis de pacientes, segundo Garg. O dispositivo recebeu a certificação CE sob a Regulação de Dispositivos Médicos da União Europeia, permitindo seu uso na UE e no Reino Unido, além de designações de Dispositivo Inovador e Uso Humanitário.