João Donato (1934 – 2023) é celebrado em álbum que apresenta gravações inéditas de 15 músicas do compositor, incluindo duas inéditas Alexandre Durão/ g1 ♫ CRÍTICA DE ÁLBUM Título: Viva Donato Artistas: Antonio Adolfo, Bebel Gilberto, Djavan, Donatinho, Dora Morelenbaum, Fafá de Belém, Fernanda Abreu, Gilberto Gil, Ivan Lins, João Bosco, Joyce Moreno, Marcos Valle, Margareth Menezes, Mônica Salmaso, Patrícia Alví, Paula Morelenbaum, Roberta Sá e Silva Cotação: ★ ★ ★ ★ ♬ Pianista, arranjador, compositor, acordeonista e cantor acreano, João Donato (17 de agosto de 1934 – 17 de julho de 2023) legou obra que extravasou movimentos e rótulos da música brasileira com balanço singular, calcada em refinado mix da bossa brasileira com o jazz e com gêneros musicais latinos como o bolero. Com canto opaco, geralmente ofuscado pelo suingue das teclas, Donato deixou – ao sair de cena há três anos, perto de completar 89 anos – cancioneiro autoral que exige leveza e sofisticação dos intérpretes. Essa sofisticação rege “Viva Donato”, tributo póstumo ao artista que chega ao mundo digital na sexta-feira, 28 de agosto, em álbum editado pelo Selo Sesc com gravações inéditas de 15 músicas do compositor em arranjos de Dori Caymmi e Marcos Valle.

Há gravações de beleza previsível, caso de “A paz” (1987), ouvida nos cantos serenos de Gilberto Gil – parceiro de Donato na canção lançada em gravação magistral de Zizi Possi – e Mônica Salmaso. E há abordagens mais surpreendentes, como a de “Flor de maracujá” (João Donato e Lysias Ênio, 1974), que desabrocha com o toque ruidoso da guitarra baiana de Roberto Barreto quase abafando o canto suave de Roberta Sá.