Lula estuda editar uma medida provisória para proibir as apostas online. A discussão começou pelos cassinos virtuais, mas, segundo a imprensa, passou a incluir também as apostas esportivas.

A escolha do momento

A preocupação é legítima. O jogo entrou na rotina das famílias pelo celular. Consumiu renda e deixou muita gente endividada.

As pesquisas indicam empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro em simulações de segundo turno. Vejo aí uma tentativa de transformar a indignação com as bets em iniciativa política às vésperas da votação.

O governo também precisa responder

Há uma pergunta incômoda para Lula: como o governo pretende proibir um mercado que ajudou a organizar?

As apostas esportivas foram legalizadas em 2018. Os jogos online passaram a integrar o mercado autorizado pela lei sancionada em seu governo. Vieram as licenças e as regras de fiscalização. Agora, o presidente considera fechar a atividade.

Nesta pesquisa, 36% apontam o governo Lula como o principal responsável pelo crescimento das bets. Se a atividade causava tamanho estrago, por que as barreiras de proteção não vieram antes?

É preciso agir contra o vício e a exploração de pessoas vulneráveis. Mas retirar uma plataforma autorizada do ar não elimina a vontade de apostar.

Parte dos usuários pode migrar para sites clandestinos, sem controle de identidade, mecanismos de proteção ou pagamento de impostos. Como o governo pretende impedir essa migração? Essa resposta precisa vir junto com a proposta.

Há também contratos, patrocínios e licenças concedidas pelo próprio Estado. Uma mudança brusca pode provocar disputas judiciais e afetar receitas de clubes, empresas de comunicação e do governo.