A Agência Ambiental (EA) do Reino Unido declarou que mais da metade da Inglaterra está enfrentando seca, resultado do clima quente e seco que afeta o abastecimento de água em várias regiões do país. A declaração abrange grande parte do centro, leste e sul da Inglaterra, sinalizando que novas restrições ao uso da água podem ser implementadas.

Segundo a EA, os efeitos já são perceptíveis, incluindo baixos níveis de fluxo dos rios, colheitas antecipadas e um alto risco de incêndios florestais. Mais de 20 milhões de pessoas já estão sob restrições de uso de mangueiras.

Impactos e regiões afetadas

Na semana passada, o norte de Gales e a bacia do rio Upper Severn também entraram em condições de seca, conforme informou a Natural Resources Wales. A Escócia, embora não declare seca oficialmente, monitora a “escassez de água”, e algumas áreas do leste escocês estão classificadas como tendo “escassez significativa”, de acordo com a Agência de Proteção Ambiental da Escócia. Por outro lado, a Irlanda do Norte não enfrenta seca neste momento.

As regiões da Inglaterra afetadas pela seca incluem:

  • East Anglia
  • Hertfordshire e toda a Londres
  • Thames Valley
  • Hampshire e Ilha de Wight
  • Devon e Cornwall
  • West Midlands
  • Wessex, abrangendo Dorset, Somerset, Wiltshire e South Gloucestershire

Embora não exista uma definição única de seca, geralmente se refere a um período de clima anormalmente seco que impacta pessoas, a natureza e o meio ambiente. A EA considera diversos fatores antes de declarar uma seca na Inglaterra, e essa declaração indica que a agência intensificará sua resposta às condições secas, incluindo monitoramento e controle sobre a quantidade de água que pode ser retirada de rios e aquíferos.

Desafios climáticos e riscos para a agricultura

Helen Wakeham, diretora de água da EA, afirmou: “O clima quente e seco significa que estamos usando água mais rapidamente do que a natureza consegue repor.” Este ano, a seca é considerada atípica, uma vez que janeiro e fevereiro foram chuvosos, ajudando a reabastecer reservatórios e aquíferos. No entanto, a transição rápida para um clima seco e quente é descrita como “whiplash climático”.

O mês de julho registrou apenas 7% da média de precipitação na Inglaterra, enquanto o sul do país teve apenas 1%. Algumas áreas de Devon e Hampshire não recebem chuva há mais de um mês. De acordo com Will Lang, meteorologista chefe do Met Office, “as condições quentes e excepcionalmente secas que prevalecem em grande parte da Inglaterra continuam a ter um impacto significativo”.

Os efeitos da seca se estendem à agricultura, com o vice-presidente da National Farmers' Union of England and Wales, Paul Tompkins, alertando que as condições extremas tornam mais difícil e custosa a produção de alimentos, afetando a segurança alimentar do país. Além disso, as condições secas têm prejudicado a migração de salmões atlânticos, que não conseguem subir os rios devido aos baixos níveis de água.