Em meio a uma grave crise de incêndios florestais, a França acionou o mecanismo de proteção civil da União Europeia (UE) em busca de apoio internacional. O país enfrenta uma situação crítica após semanas de seca e ondas de calor, com temperaturas chegando a 40 graus Celsius, o que provocou incêndios devastadores, como o que já consumiu mais de 42 mil hectares de vegetação na região de Bordeaux.

A intensidade dos incêndios na França é refletida na mobilização de recursos. O governo francês utiliza 12 aviões Canadair e oito aeronaves Dash no combate aos incêndios. Contudo, a demanda por esses equipamentos é alta, e as operações estão concentradas em várias áreas simultaneamente. Mais de 220 mil pessoas foram forçadas a evacuar suas residências devido à gravidade da situação.

Ativação do mecanismo de proteção civil da UE

Para ativar o mecanismo, a França reportou suas necessidades ao Centro de Coordenação de Resposta a Emergências da UE, situado em Bruxelas. Especialistas do centro avaliaram a capacidade de assistência dos 37 países participantes. Em poucas horas, foram mobilizados recursos significativos, com aeronaves e helicópteros de Portugal, Croácia, República Tcheca, Alemanha, Turquia, Suécia e Eslováquia apoiando as operações, especialmente na área metropolitana de Bordeaux.

Além disso, a UE enviou seis aeronaves adicionais para a Espanha, totalizando 13 dos 22 aviões disponíveis para a temporada de incêndios deste verão já mobilizados para os dois países. Estes números evidenciam a rapidez com que a reserva europeia pode ser acionada em situações de incêndios florestais em larga escala.

Cooperação e desafios na resposta a incêndios

Desde a implementação do mecanismo em 2001, o sistema passou por diversas expansões. A partir de 2019, a UE lançou o rescEU, uma reserva estratégica que inclui não apenas aeronaves de combate a incêndios, mas também equipamentos médicos e hospitais de campanha. Para o verão de 2026, Bruxelas posicionou 777 bombeiros de 14 países em regiões vulneráveis da França, Espanha, Portugal, Itália, Grécia e Chipre.

Entretanto, a solidariedade europeia enfrenta desafios quando múltiplos países são afetados por eventos climáticos extremos, uma situação que pode se tornar mais frequente devido às mudanças climáticas. Governos precisam equilibrar o envio de apoio internacional sem comprometer suas capacidades operacionais internas. Atualmente, a Itália também está lidando com incêndios em seu território, embora ainda não tenha ativado o mecanismo.

Além disso, a Comissão Europeia prevê que a temporada de incêndios deste ano será excepcionalmente longa, com o mecanismo já ativado desde o final de abril e em vigor até pelo menos novembro.

A UE está em processo de criação de uma frota de combate a incêndios permanente, com um investimento estimado em 600 milhões de euros. A nova frota contará com doze aeronaves que serão operadas por Estados membros e coordenadas pela Comissão Europeia.

A eficácia na luta contra incêndios depende não apenas da mobilização de recursos, mas também de medidas preventivas, como a criação de faixas de contenção e regulamentações de construção em áreas de alto risco. O combate a incêndios é mais eficiente quando as chamas são detectadas precocemente, pois, uma vez que os focos se espalham, mesmo os recursos da UE podem ser insuficientes para extingui-los completamente.