O agro após as eleições
As eleições de 2026 redesenharam o cenário político brasileiro, mas, para o agronegócio, a leitura dos resultados não deve se limitar à disputa pela Presidência da República. Tão importante quanto saber quem estará no Palácio do Planalto a partir de janeiro é entender com qual Congresso, quais governadores e qual correlação de forças o próximo presidente terá de governar.
Congresso mais à direita
O Congresso que assume no próximo ano terá uma presença maior da direita, especialmente no Senado. O PL terá a maior bancada da Casa, com 28 dos 81 senadores e 121 deputados na Câmara. É uma mudança relevante na composição política e que terá efeitos tanto sobre a agenda legislativa quanto sobre a governabilidade do próximo presidente.
Históricamente, parte relevante dos partidos de direita e centro-direita apresenta maior convergência com pautas defendidas pelo setor produtivo. Isso não significa que exista uma bancada uniforme ou que toda proposta de interesse do agro será automaticamente aprovada. O Congresso brasileiro continuará fragmentado e a própria representação do agro reúne parlamentares de diferentes partidos, regiões e posições políticas. Temas ambientais, tributários, fundiários e fiscais, por exemplo, continuarão exigindo negociação e construção de maioria.
Governabilidade e interlocutores
Essa configuração também terá consequências sobre a governabilidade do próximo presidente. Caso Flávio Bolsonaro vença o segundo turno, deverá encontrar um Congresso com maior convergência política e com parte relevante da representação organizada do agronegócio. A Frente Parlamentar da Agropecuária, inclusive, declarou formalmente apoio à sua candidatura ainda antes do primeiro turno.
Caso Lula seja reeleito, o cenário será diferente. Um novo governo terá de construir maioria e negociar sua agenda com um Legislativo mais à direita. Isso não significa impossibilidade de governar, especialmente considerando a dinâmica de coalizões característica do sistema político brasileiro, mas aumenta a importância da articulação com o Congresso e, consequentemente, o poder de negociação das bancadas organizadas.
Ao mesmo tempo, as eleições trouxeram uma renovação dos interlocutores do setor. Alguns parlamentares historicamente associados às pautas agropecuárias não estarão na próxima legislatura, seja porque não conseguiram renovar seus mandatos, decidiram disputar outros cargos ou optaram por não concorrer novamente. Por outro lado, novas lideranças chegam ao Congresso e alguns nomes conhecidos migraram da Câmara para o Senado.
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