O produtor rural vai às urnas levando uma conta que não fecha, uma dívida que preocupa ou uma safra que precisa financiar. Do pequeno ao grande, cada um sabe onde o sapato aperta e procura nas propostas dos candidatos alguma resposta para o que enfrentará da porteira para dentro e no caminho até o mercado.

A ferramenta existe. Falta fazê-la chegar

O Brasil dispõe de instrumentos de crédito rural, apoio à comercialização, garantia de preços mínimos e subvenção ao seguro. Essa subvenção é a participação do governo no custo da contratação da apólice, para torná-la mais acessível.

Na comercialização, existem mecanismos de compra pública e apoio ao escoamento. No financiamento, a equalização permite que o Tesouro cubra parte dos custos para oferecer determinadas linhas com juros menores ao produtor.

Portanto, não começamos do zero. O que precisamos cobrar é orçamento suficiente e dinheiro disponível para colocar essas ferramentas em funcionamento.

Isto não resolve, sozinho, uma estrada ruim ou a falta de armazenagem, que exigem investimento e planejamento. Mas permite agir sobre dificuldades de renda, financiamento e proteção da safra antes que elas se agravem.

O calendário da lavoura não espera

É aqui que está, na minha avaliação, uma mudança que o setor deveria exigir dos candidatos: recursos previamente definidos, com disponibilidade financeira e autonomia para o Ministério da Agricultura executar as medidas sob sua responsabilidade.

Parte dos programas já está no orçamento da pasta. O problema é que ter uma dotação no papel não significa, necessariamente, poder utilizá-la no momento adequado. Há limites de execução, regras e decisões que envolvem a área econômica.

O ministro da Fazenda olha o conjunto das contas públicas. Precisa conciliar saúde, educação, Previdência, investimentos e tantas outras despesas. Essa responsabilidade existe e precisa ser respeitada.

Mas a agricultura tem prazos que não se ajustam à espera de uma negociação em Brasília. O plantio tem sua janela. A colheita concentra a oferta. A prestação