Imagem gerada por IA para o Canal Rural A taxa de juros no Brasil está elevada e deverá permanecer assim por algum tempo. De forma inequívoca, essa situação tem causado enorme desconforto em diversos setores da economia, inclusive no agronegócio brasileiro. Por exemplo, segundo dados do Monitor RGF, nas atividades agropecuárias, entre o terceiro trimestre de 2023 e o segundo trimestre de 2026, o número de CNPJs em recuperação judicial aumentou mais de 467%, passando de 219 para 1.263 empresas.
Como essa fonte não incorpora os pedidos feitos por pessoas físicas (CPFs), o número total deve ser ainda maior. Certamente, a forte expansão fiscal dos últimos anos é um dos principais fatores que ajudam a explicar a permanência da taxa de juros nos elevados patamares atuais. Por que a expansão acelerada dos gastos públicos é apontada como um dos principais fatores para a manutenção dos juros elevados?
Entre o final de 2022 e agosto de 2026, em termos anualizados — ou seja, considerando o acumulado em 12 meses — e já descontada a inflação medida pelo IPCA, os gastos públicos primários cresceram 19,9%. Enquanto isso, as receitas líquidas, já descontadas as transferências para estados e municípios, avançaram 13,7%. Diante desse descompasso entre a expansão das despesas e das receitas, o resultado primário passou de um superávit de R$ 58,2 bilhões para um déficit de R$ 68,7 bilhões no período.
Houve, portanto, uma forte expansão fiscal. Apesar dos esforços para elevar a arrecadação, o crescimento das receitas foi insuficiente para acompanhar o avanço das despesas.
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