O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, encontrou-se na tarde desta segunda-feira (27) com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. O principal objetivo da reunião foi discutir a liberação de um empréstimo bilionário que visa socorrer o BRB e regularizar os balanços da instituição, que estão atrasados desde o final do ano passado.

Esse encontro se segue a uma reunião anterior realizada no dia 14 de junho, onde a governadora do Distrito Federal, Celina Leão, também participou. O governo classificou essa reunião como uma "reunião técnica", e os participantes não fizeram declarações à imprensa após o encontro.

Crise financeira do BRB

A crise atual do BRB é resultado de operações mal sucedidas com o Banco Master, que resultaram em perdas significativas para a instituição. A lei que autoriza o empréstimo de R$ 6,6 bilhões, que foi aprovado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), foi sancionada em 24 de junho. O governo do DF, que é o acionista controlador do BRB, utiliza o banco para operar diversos programas sociais e para a folha de pagamento do funcionalismo distrital. Assim, a manutenção da saúde financeira do BRB é essencial para a continuidade desses serviços.

Investigações e fraudes

O BRB entrou em dificuldades financeiras após transações com o Banco Master, que totalizaram R$ 30 bilhões entre 2024 e 2025. Em novembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a operação Compliance Zero, que investigou um suposto esquema de fraudes financeiras envolvendo essas operações. Em abril deste ano, uma nova fase da investigação resultou na prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, acusado de permitir negócios sem lastro e sem seguir as práticas adequadas de governança.

Atualmente, o BRB estima que cerca de R$ 8,8 bilhões dos créditos adquiridos do Banco Master são títulos inexistentes, fraudulentos ou de difícil recuperação, o que pode causar um rombo significativo em seu patrimônio. O governo local afirma que pode recuperar R$ 2,2 bilhões por meio de outras medidas, mas ainda precisa do empréstimo de R$ 6,6 bilhões para cobrir as perdas restantes.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, comentou sobre a situação do banco, afirmando que, em uma transação, o BRB "passou R$ 12 milhões para o Master e recebeu guardanapo, papel que não valia nada". Essa declaração ressalta a gravidade da situação e a necessidade urgente de um plano eficaz para restaurar a confiança na instituição.