Antes de assumir o cargo de primeiro-ministro, Andy Burnham prometeu 'encerrar 40 anos de neoliberalismo'. No entanto, sua equipe ainda se apóia em um dos clichês mais tediosos: a 'red tape', ou burocracia.

A expressão, que remonta ao uso de fita vermelha para amarrar documentos governamentais, ganhou popularidade com historiadores como Thomas Carlyle. É um conceito típico do pensamento neoliberal, que defende a liberdade do estado em relação às empresas.

Desde Margaret Thatcher, o mantra de 'cortar a red tape' tem sido repetido por governos britânicos. Thatcher implementou a 'Big Bang' de desregulamentação financeira, enquanto seu sucessor, John Major, também apoiou a ideia de 'cortar a floresta de red tape'. O termo foi popularizado pelo então ministro Michael Heseltine, que propôs um 'incêndio de red tape'.

No governo atual, a ministra Rachel Reeves comparou a regulamentação a uma 'boot on the neck' das empresas britânicas. Mesmo assim, a ideia de 'cortar a red tape' não se sustenta, pois boa parte da regulamentação moderna surgiu justamente para substituir serviços públicos privatizados.