Na quinta-feira, 3 de setembro de 2026, a Rússia anunciou a alocação de mais de 5.000 vagas em universidades estatais para estudantes africanos, após receber mais de 40.000 inscrições em 2025. Segundo a agência de diplomacia cultural Rossotrudnichestvo, esse número dobrou em comparação com 2024.

A maior quantidade de inscritos veio de Sudão, Guiné, Gana e Chade. Oficiais relatam um crescimento no interesse em cursos de língua russa.

Objetivos geopolíticos

Observadores afirmam que a busca por educação na Rússia por parte dos estudantes africanos não é surpreendente. Sob o presidente Vladimir Putin, o Kremlin tem buscado reativar relações soviéticas e construir novas alianças na África para ampliar sua influência global, enquanto enfrenta o Ocidente.

A Rússia tem destacado a cooperação educacional, energética e militar como ferramentas de engajamento. 'Oferecer bolsas de estudo é a forma mais econômica de obter aliados', disse a historiadora iraniana Irina Filatova, professora emérita da Universidade de KwaZulu-Natal, na África do Sul.

A expansão da presença cultural e acadêmica da Rússia na África inclui planos para estabelecer novos centros culturais e educacionais em países como Egito, Zâmbia, Tanzânia, África do Sul e Etiópia.

Desafios e preocupações

No entanto, críticos acusam os centros culturais russos de servirem como postos de propaganda ocultos que promovem as narrativas do Kremlin no exterior. Organizações de direitos humanos também alertaram sobre relatos de pressão para que alguns estudantes estrangeiros se juntem ao exército russo em troca de extensões de vistos ou status legal.

Analistas alertam que essas práticas podem comprometer os objetivos de poder suave da Rússia.