Um terremoto de magnitude 6,8 atingiu a cidade de Kumamoto, no Japão, na noite de terça-feira, resultando na morte de pelo menos 13 pessoas e deixando dezenas de outras presas sob os escombros. O tremor foi sentido em várias partes da região, mas a cidade de Yatsushiro, onde muitos moradores estão acostumados a pequenos tremores, foi uma das mais afetadas.
Experiências aterrorizantes dos sobreviventes
Hiroko Ogata, de 75 anos, co-proprietária de um restaurante em Yatsushiro, descreveu o momento do terremoto como assustador. "Eu fiquei surpresa e com medo. Fui imediatamente para debaixo de uma mesa, mas a mesa se movia de um lado para o outro comigo", relatou ao BBC News. Ogata, que vive na região há toda a sua vida, afirmou que nunca havia sentido um tremor tão forte. "Achei que iria morrer", confessou.
Somente a poucos metros do shopping Aeon, onde três das vítimas foram encontradas, Yui, uma proprietária de uma loja de bolos, estava em seu escritório quando o terremoto aconteceu. "Não consegui distinguir o som do terremoto do som de uma explosão. Só consegui segurar a cadeira em que estava enquanto os grandes tremores aconteciam um após o outro", contou, ainda em choque.
Desafios nas operações de resgate
As autoridades locais mobilizaram rapidamente equipes de emergência, com o Primeiro-Ministro Sanae Takaichi destacando que 4.600 profissionais foram enviados ao local para auxiliar nas operações de resgate. No entanto, a situação é crítica, com milhares de moradores enfrentando cortes de energia e água em Kumamoto. Além disso, pelo menos 45 unidades de saúde foram danificadas durante o tremor.
O Castelo de Kumamoto, um marco da cidade, sofreu danos significativos, com paredes externas desmoronando em meio a uma nuvem de poeira. Michal Posan, uma residente de 25 anos que estava em casa durante o terremoto, relatou que objetos pesados, como sua televisão, caíram sobre ela e que as lojas estão sem água e alimentos. "Estou preparando bolsas de evacuação devido aos constantes tremores secundários", acrescentou.
Especialistas, como Shinji Kiyomoto, da Agência Meteorológica do Japão, alertaram a população para que permaneçam vigilantes, lembrando que o terremoto de 2016 na mesma região foi seguido por uma série de tremores adicionais. A preocupação com uma nova catástrofe persiste, e os moradores tentam retomar suas rotinas, apesar do estresse causado pelas réplicas.
Enquanto isso, Ogata e Yui enfrentam o desafio de restaurar seus negócios. "Meu local está uma bagunça, e não sei por onde começar. Tenho que limpar para reabrir o restaurante o mais rápido possível", disse Ogata. Yui, por sua vez, ainda avalia os danos em sua loja e não sabe se conseguirá retomar as atividades.
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