A Uefa, órgão responsável pelo futebol europeu, manifestou indignação em relação às propostas da Fifa, que sugerem a busca por investimentos privados em suas competições, incluindo a Copa do Mundo. A Fifa, entidade máxima do futebol, anunciou sua intenção de expandir o financiamento para o desenvolvimento do esporte, com um valor superior a US$ 10 bilhões e a inclusão de investimentos de terceiros em um novo projeto.
Segundo informações veiculadas pelo Financial Times e pelo Times, a proposta poderia render ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, ganhos significativos. A Fifa planeja convidar investidores para realizar aportes minoritários e não controladores em uma nova subsidiária chamada Fifa Forward Enterprise (FFE), com o objetivo de consolidar suas operações comerciais e de eventos. A empresa Thrive Eternal, uma firma de capital de risco americana, é citada como a potencial líder do grupo de investidores.
Reações e críticas da Uefa
A Uefa emitiu uma declaração severa, afirmando que as propostas da Fifa “cruzam uma linha” que não deve ser ultrapassada pelas instituições que governam o futebol. A entidade europeia se preocupa com a possibilidade de a Fifa expandir suas competições para aumentar a receita, o que poderia ameaçar os torneios lucrativos organizados pela Uefa.
A Uefa enfatizou que “a alma e a governança do futebol não são ativos a serem negociados, especialmente sem transparência sobre quem se beneficia financeiramente”. Em um tom de alerta, a entidade conclamou todas as federações de futebol nacionais e os stakeholders a levarem a sério a questão, afirmando que “nenhum de nós é proprietário do futebol”.
O futuro da proposta da Fifa
A Fifa, por sua vez, defende que sua proposta, que inclui uma subsidiária comercial dedicada, é semelhante a modelos adotados por outras entidades esportivas. Um exemplo citado foi a parceria da Premiership Rugby com a CVC Capital Partners, uma firma de private equity. Contudo, a Uefa considera que a abordagem da Fifa pode abrir precedentes indesejados.
Em sua defesa, a Fifa afirmou que manterá o controle sobre a FFE e terá autoridade exclusiva sobre a governança do futebol, competições, calendário de jogos internacionais e todas as decisões regulatórias e esportivas. O assunto deverá ser discutido na próxima reunião do Conselho da Fifa no outono e durante a Copa Intercontinental da Fifa, programada para dezembro, que contará com a participação do Paris Saint-Germain, campeão da Liga dos Campeões.
A proposta poderá ser votada por todos os 211 membros da Fifa durante o Congresso da entidade, que ocorrerá em março em Marrocos.
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