Um adolescente de 16 anos, Colt Gray, foi sentenciado à prisão perpétua na terça-feira (28) nos Estados Unidos, após confessar a responsabilidade pela morte de quatro pessoas em um tiroteio na escola Apalachee High School, localizada no condado de Barrow, na Geórgia, em 2024.
Na última sexta-feira (24), Gray aceitou a culpa em 55 acusações, incluindo quatro homicídios. As vítimas do ataque foram os professores Richard Aspinwall, de 39 anos, e Cristina Irimie, de 53 anos, além dos estudantes Mason Schermerhorn e Christian Angulo, ambos com 14 anos.
Depoimentos impactantes de sobreviventes
Durante o julgamento, os alunos que sobreviveram ao ataque prestaram depoimentos que influenciaram a decisão do tribunal. Com o apoio da polícia local e do grupo de motociclistas “Mystic Saints”, formado para apoiar a escola após o tiroteio, os estudantes compartilharam suas vivências traumáticas.
A primeira a depor foi Taylor Jones, estudante do nono ano, que sofreu uma fratura no fêmur em decorrência do ataque. Em seu relato, ela expressou a luta contra a ansiedade e a sensação de que sua vida havia mudado para sempre: “Depois do tiroteio, eu lutei com muita ansiedade e senti que minha vida tinha acabado completamente. Eu não conseguia fazer nada que um adolescente de 14 anos normalmente seria capaz de fazer”, afirmou.
Outra sobrevivente, Natalie Griffith, também ferida durante o ataque, manifestou sua indignação diretamente a Gray: “Eu te odeio, e estou bravo com você, porque você tinha opções. Você tinha outras opções além de entrar e matar um monte de pessoas inocentes que não tinham feito absolutamente nada contra você”, disse, refletindo sobre como poderia ter sido a relação entre eles.
Marcas permanentes e reflexões
As consequências do ataque impactaram não apenas os feridos, mas também aqueles que estavam presentes na escola. Nautica Walton, que foi baleada na perna, lamentou a perda da normalidade e da inocência. “A vida não é a mesma. Eu não sinto mais segurança”, declarou.
Hayden Bowen, outra vítima do tiroteio, comentou sobre a dificuldade de retomar a vida normal: “Não consigo ficar muito tempo nos lugares. Não consigo sair de casa. Nem consigo ficar no meu próprio quarto sem sentir medo. Não consigo mais ser um adolescente normal”, disse.
A estudante Aryanna Norman, que não foi ferida fisicamente, também relatou os efeitos do trauma. Ela agora se assusta com o som de fogos de artifício, que a lembram dos tiros.
O juiz Nicholas Primm encerrou o julgamento com uma declaração contundente: “Os mortos não voltarão à vida, os feridos não esquecerão suas feridas, e um garoto de 16 anos vai viver e morrer na prisão”.
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