Um crescente número de estudos sugere que o consumo de alimentos ultraprocessados (UPFs) pode ter efeitos adversos na saúde cerebral, além dos conhecidos riscos à saúde física. Esses produtos, frequentemente ricos em açúcar, sódio e gorduras saturadas, têm sido associados a doenças como diabetes e problemas cardiovasculares. Agora, a atenção se volta para seu impacto na saúde mental.

Relações entre UPFs e saúde mental

Pesquisas recentes têm demonstrado ligações entre a ingestão de UPFs e condições como depressão, ansiedade e demência. Um estudo que acompanhou aproximadamente 30 mil pessoas entre 2003 e 2007 revelou que um aumento de 10% na proporção de UPFs na dieta estava associado a um risco significativamente maior de comprometimento cognitivo e acidente vascular cerebral (AVC) ao longo de até 18 anos. Essa relação se manteve mesmo após considerar fatores como renda, consumo de álcool e atividade física.

Outro estudo realizado com 10.775 adultos no Brasil durante cerca de oito anos indicou que aqueles que obtinham mais de 19,9% de suas calorias de UPFs apresentavam um declínio cognitivo mais rápido. Este estudo também destacou que o consumo de UPFs estava ligado a um aumento do declínio cognitivo em pessoas com menos de 60 anos, sugerindo a importância de uma dieta baseada em alimentos integrais na meia-idade.

Impactos em doenças neurodegenerativas e saúde mental

Em 2025, uma análise envolvendo 58.423 indivíduos entre 40 e 70 anos encontrou que o aumento no consumo de UPFs estava associado a um risco maior de doenças como demência, Parkinson e esclerose múltipla. Adicionalmente, um estudo que acompanhou 31.712 enfermeiras mulheres entre 2003 e 2017 revelou que aquelas que consumiam mais de 8,8 porções diárias de UPFs apresentavam um risco 49% maior de desenvolver depressão.

Embora esses estudos sejam observacionais e não estabeleçam causalidade direta, as correlações são significativas. O consumo de uma dieta mediterrânea, que tende a ser baixa em UPFs, tem sido associado a um menor risco de depressão e ansiedade, reforçando a ideia de que a dieta pode influenciar a saúde mental.

Os mecanismos por trás desses efeitos negativos podem incluir a alta quantidade de sal, açúcar e gordura presente nos UPFs, que afetam o microbioma intestinal e podem levar a inflamações de baixo grau, um fator conhecido por sua ligação com problemas de saúde mental. Pesquisas indicam que dietas ricas em UPFs podem reduzir o volume do hipocampo, uma região cerebral crucial para a memória.

Os especialistas sugerem que a meta deve ser reduzir o consumo de UPFs, priorizando alimentos que não combinam características desfavoráveis, como açúcares adicionados e baixo teor de fibras. Mudanças simples na dieta, como aumentar a ingestão de fibras e peixes oleosos, podem ser benéficas para a saúde cerebral.