O cantor americano D4vd, cujo nome verdadeiro é David Anthony Burke, foi determinado a ir a julgamento por homicídio em relação à morte da adolescente Celeste Rivas Hernandez, de 14 anos. A decisão foi anunciada após uma audiência preliminar de cinco dias em Los Angeles, onde promotores apresentaram testemunhos e evidências fotográficas diante da família da vítima.

As autoridades afirmam que os restos mortais de Hernandez foram encontrados em setembro do ano passado dentro de um veículo Tesla registrado no endereço de Burke. O músico, de 21 anos, se declarou inocente das acusações de homicídio e abuso sexual.

Acusações e evidências apresentadas

O julgamento está agendado para começar dentro de 90 dias a partir de 31 de agosto, data em que Burke será formalmente acusado. Os promotores alegam que ele esfaqueou a adolescente antes de desmembrar seu corpo, após anos de supostos abusos sexuais. Segundo a acusação, o crime teria ocorrido após Hernandez ameaçar revelar o relacionamento deles e prejudicar a carreira musical de Burke.

No tribunal, foi lido um texto enviado por Hernandez em 22 de abril de 2025, onde ela fazia ameaças a Burke, afirmando: "Eu juro por Deus que vou te matar". O dia seguinte, a jovem teria ido até a casa do cantor em Hollywood, após ele ter solicitado um Uber para buscá-la, momento em que os promotores afirmam que Burke a atacou.

Defesa e contradições

Durante a audiência, o detetive Corey Farrell, do Departamento de Polícia de Los Angeles, mencionou que a jovem havia mentido sobre sua idade para Burke, afirmando ter 16 e, em outras ocasiões, 18 anos. A defesa argumentou que não havia evidências suficientes para comprovar o crime, afirmando que os pais de Hernandez estavam cientes da relação e até deram consentimento para que ela viajasse a Londres com Burke.

Os advogados de defesa destacaram mensagens trocadas nos dias 22 e 23 de abril, indicando que Celeste insistiu em ir à casa de Burke e que ele inicialmente se opôs, mas acabou concordando em enviar um carro para ela. A defesa também ressaltou a falta de provas concretas, como a incapacidade do legista de determinar como os ferimentos na jovem ocorreram e a ausência de gravações de câmeras de segurança que mostrassem Burke em casa na noite do crime.

A juíza Charlaine Olmedo, do Tribunal Superior do Condado de Los Angeles, decidiu que as evidências apresentadas durante a audiência preliminar justificavam um julgamento, considerando que os promotores demonstraram causa provável para as acusações de homicídio com circunstâncias especiais.

Após a audiência, o promotor do condado, Nathan Hochman, afirmou que apenas uma fração das evidências contra Burke foi apresentada até o momento e que mais informações seriam reveladas no julgamento. Hochman também indicou que ainda não havia decisão sobre a possibilidade de buscar a pena de morte.

Imagens perturbadoras do corpo desmembrado de Hernandez foram mostradas no tribunal durante a audiência preliminar. Um detetive de homicídios testemunhou que Burke teria feito pedidos online de um saco para corpo, motosserras, uma piscina inflável e uma pá nos dias após a morte da adolescente. Contudo, a defesa argumentou que as motosserras encontradas na garagem de Burke testaram negativo para sangue e não foram analisadas para DNA.