Um tribunal na Nigéria realizou uma audiência inusitada dentro de um laboratório de drogas ilícitas, onde três mexicanos e sete nigerianos foram apresentados sob acusação de produzir metanfetamina. O juiz Musa Kakaki inspecionou os químicos e equipamentos utilizados na fabricação do narcótico sintético, conhecido como ice.
O laboratório, localizado em uma densa floresta, exalava odores fortes de metanfetamina em estado líquido e de um produto não processado. A operação foi considerada pela Agência Nacional de Controle de Drogas da Nigéria (NDLEA) como a maior apreensão de metanfetamina do país, com a apreensão de mais de duas toneladas da droga, avaliadas em cerca de US$ 360 milhões.
Expansão das redes de produção de drogas
A NDLEA afirmou que a operação desmantelou uma sofisticada rede de produção de metanfetamina que liga o México à Nigéria. Um mês após esta apreensão, outro laboratório foi encontrado em Oyo, resultando na prisão de cinco suspeitos, incluindo um especialista mexicano em metanfetamina.
As investigações indicam um aumento da participação da África, e especialmente da África Ocidental, no comércio global de drogas sintéticas. Especialistas em fabricação de metanfetamina do México, conhecidos como 'cozinheiros', estão sendo encontrados em laboratórios na Europa e na África.
Novo cenário para o tráfico de metanfetamina
James Griego, chefe das operações de combate a narcóticos do Comando Africano dos EUA (Africom), destacou que a produção de metanfetamina se tornou mais sofisticada e de alta pureza. A NDLEA já havia identificado laboratórios vinculados ao México desde 2016, e a tendência de operações mexicanas na África tem se intensificado. Em 2023, foram registradas 14 operações, sendo quatro delas na Nigéria.
A colaboração entre grupos terroristas e cartéis de drogas tem levantado preocupações entre autoridades, que alertam sobre o financiamento de atividades terroristas por meio do tráfico de drogas. O general Dagvin Anderson, comandante do Africom, afirmou que o financiamento de grupos terroristas na África está aumentando devido à colaboração com cartéis de drogas.
A produção de metanfetamina, ao contrário de drogas baseadas em plantas, pode ocorrer em qualquer lugar com os químicos adequados, facilitando a expansão das operações criminosas. A Nigéria, com suas florestas densas e uma população jovem, se torna um local atrativo para esses cartéis, que buscam mão de obra barata e um mercado local.
A crescente utilização de metanfetamina na Nigéria preocupa as autoridades, especialmente considerando que uma pesquisa de 2018 revelou que 14,4% da população adulta já havia consumido drogas ilícitas, superando a média global. O aumento do uso de metanfetamina também é observado em outras regiões da África, como no Leste Africano e na África do Sul.
Com a intensificação de operações de combate ao tráfico e a colaboração entre agências internacionais, as autoridades nigerianas afirmam estar preparadas para enfrentar o desafio e impedir que o país se torne um refúgio seguro para os cartéis de drogas.
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