Lago do Puruzinho/Território Indígena Karipuna/Calama, Amazonas — A comunidade do Lago Puruzinho vive em um ambiente que parece um paraíso, com águas cristalinas e ricas em peixes, situada a apenas 20 quilômetros da cidade de Humaitá. No entanto, essa tranquilidade esconde um grave problema ambiental.
A comunidade, composta por cerca de 170 pessoas, costumava se alimentar principalmente de peixes da região, mas isso mudou quando descobriram a presença de mercúrio nas águas do rio Madeira, principal fonte do lago. Pesquisas realizadas pela Universidade Federal de Rondônia (UNIR) mostraram que entre 10 e 50 toneladas métricas de mercúrio são lançadas anualmente no rio Madeira por mineração ilegal.
"Havia muito mercúrio em nossos cabelos, devido ao consumo excessivo de tucunarés, peixe que comemos muito." Maria Rogelina Soares da Silva dos Santos, uma pescadora e dona de casa, explica em sua casa, localizada às margens do lago.
Os estudos da UNIR focaram em como a contaminação por mercúrio afeta os peixes e, consequentemente, a saúde humana, especialmente em mulheres grávidas, mães que amamentam e crianças. As pesquisas revelaram a presença de mercúrio em peixes consumidos pelas comunidades ribeirinhas do Madeira.
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