A restituição de terras indígenas no Chile trouxe resultados mistos em termos ambientais, conforme aponta um estudo publicado na revista Nature Sustainability. Embora tenha permitido maior controle dos comunidades mapuche sobre suas terras, resultando em aumento de pastagens para produção de gado e diminuição de plantações de árvores exóticas, não houve avanços em biodiversidade, sequestro de carbono ou controle de erosão.

O estudo analisou dados de 1,577 propriedades em 36 comunidades ao longo de quatro regiões do Chile, comparando o uso do solo e os resultados ambientais antes e depois da restituição. Os pesquisadores destacam que esses achados desafiam a ideia de que a autodeterminação indígena sempre levará a mudanças positivas nas florestas naturais, no sequestro de carbono ou na biodiversidade.

‘No passado, os defensores da conservação às vezes adotaram visões românticas do que isso significaria, assumindo que as comunidades indígenas sempre escolheriam usar o solo para usos mais “naturais”,’ afirmou Robert Heilmayr, co-autor do estudo e professor associado da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, em entrevista por e-mail.