Glacíeres nos Alpes estão em trajetória de perda recorde de gelo, impulsionada por ondas de calor intensas no verão. O glaçiar Rhône, na Suíça, registrou mais de 9 metros de derretimento na superfície, com perda total de 30 milhões de toneladas de gelo este ano.

Derretimento acelerado por calor extremo

Um período de ondas de calor, incluindo a pior do continente em junho, provocou intensificação do derretimento. A temperatura permanece acima da média até o outono, com risco de nova onda térmica. Pesquisadores afirmam que os glaciares estão se aproximando de um novo recorde de perda, superando a queda de 2022 causada por poeira do Saara.

Consequências e impactos nos ecossistemas

O derretimento já afetou áreas sensíveis: uma das últimas zonas com esqui em todo o ano temporariamente fechou devido a condições perigosas. Uma passagem subglacial em Chamonix também foi interrompida. O Rhône perdeu cerca de 30 milhões de toneladas de gelo, suficiente para preencher 12 mil piscinas olímpicas. A formação de um buraco de dezenas de metros de diâmetro na base do glaçiar revelou um rio subglacial de água siltosa com fragmentos de gelo.

Estudos da ETH Zurich indicam que o aumento do fluxo de água subglacial acelera a fusão, levando à abertura de novas fissuras. Mais de 1000 geleiras suíças – 40% do total – desapareceram nos últimos 50 anos. O glaçiar Rhône, que apareceu em filme de James Bond de 1964, já se retraiu quase 2 quilômetros.