Um novo estudo realizado por pesquisadores do Sanford Burnham Prebys Medical Discovery Institute e da Universidade de Michigan aponta que a produção de insulina nas células beta do pâncreas pode ser prejudicada pela acumulação de proteínas mal dobradas. A pesquisa, publicada em 1º de junho de 2026 na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, destaca a importância de uma rede de proteínas auxiliares no processo de dobramento da insulina.

O impacto das proteínas mal dobradas nas células beta

As células beta do pâncreas são responsáveis por monitorar os níveis de açúcar no sangue e, quando a glicose aumenta, produzem insulina para regular esses níveis. No entanto, com a progressão do diabetes, essas células enfrentam dificuldades crescentes para atender à demanda por insulina. Pesquisas anteriores já haviam relacionado essa dificuldade ao mau dobramento da proinsulina, a proteína precursora da insulina. Contudo, os detalhes sobre como outras proteínas colaboram para esse processo ainda eram incertos.

A importância da proteína BiP e seus cofatores

De acordo com Randal J. Kaufman, PhD, professor no Centro de Doenças Metabólicas e Hepáticas do Sanford Burnham Prebys, a prevenção do mau dobramento da proinsulina depende de uma proteína chamada BiP e de várias proteínas cofatoras. O estudo buscou entender como essas proteínas trabalham juntas para garantir o correto dobramento da proinsulina e eliminar as versões mal formadas, essenciais para a saúde das células produtoras de insulina.

Os pesquisadores realizaram modificações genéticas em camundongos para que a BiP em suas células beta carregasse um marcador que facilitasse sua detecção. Os resultados mostraram que a proteína p58IPK, uma das proteínas cofatoras da BiP, desempenha um papel crucial. Quando p58IPK foi removida, as células acumularam proinsulina mal dobrada e produziram menores quantidades de insulina.

Além disso, ao reintroduzir p58IPK em uma das linhagens celulares modificadas, os cientistas observaram uma melhora na capacidade das células de dobrar e transportar a proinsulina, mas essa melhora só ocorreu na presença da BiP. O estudo sugere que, assim como em um jogo de tênis em duplas, a BiP não pode atuar sozinha na manutenção do correto dobramento da proinsulina.

Perspectivas para novos tratamentos contra o diabetes

Atualmente, a maioria dos medicamentos para diabetes não aborda diretamente os problemas de dobramento de proteínas que podem levar à falência das células beta. Em vez disso, eles controlam a doença ajudando os tecidos a absorver mais glicose ou estimulando o pâncreas a liberar mais insulina. Os pesquisadores acreditam que, se conseguirem influenciar a atividade coordenada da BiP, poderão desenvolver uma nova estratégia de tratamento que intervenha precocemente para prevenir ou reduzir os danos às células produtoras de insulina.

O estudo contou com a colaboração de Alec Duffey e Pamela Itkin-Ansari do Sanford Burnham Prebys e Peter Arvan da Universidade de Michigan, e foi apoiado por instituições como o National Institutes of Health e o National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases.