Curva de juros futuros se ajusta após reeleição de Lula

Os juros futuros subiram nesta sexta-feira, refletindo incertezas sobre a equipe econômica do novo governo.

Risco fiscal e expectativa de Selic estável

Após a reeleição de Lula, o mercado passou a ver a Selic em patamar estável, com maior risco inflacionário.

Nesta sexta-feira, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2028 subiu de 14,368% para 14,485%. O DI para janeiro de 2029 avançou de 14,805% para 14,935%, enquanto o DI para janeiro de 2031 passou de 15,155% para 15,210%.

A curva a termo ficou mais inclinada, com os vértices curtos tendo pouca variação, enquanto a taxa para janeiro de 2029 subiu cerca de 120 pontos-base e a de janeiro de 2031, 130 pontos-base. A maior parte desse ajuste ocorreu nesta semana, especialmente na segunda-feira, após o mercado reposicionar expectativas com a reeleição de Lula.

Economistas avaliam que a inclinação da curva tende a permanecer elevada enquanto não houver sinalização sobre a compensação fiscal de medidas e promessas feitas no período eleitoral. Se implementadas, essas medidas acrescentariam entre R$ 60 bilhões e R$ 80 bilhões aos gastos públicos em 2027.

Para William Jackson, economista-chefe para mercados emergentes da Capital Economics, Lula ainda oferece poucos sinais para acalmar os mercados no pós-eleição. Ele cita a discussão de uma meta de resultado primário mais ambiciosa para 2027, mas ainda sem detalhamento, e a ausência de definição sobre o comando da Fazenda.

No fim da tarde, a curva de juros futuros indicava 80% de probabilidade de manutenção da Selic em 13,75% na reunião da próxima semana do Comitê de Política Monetária (Copom), ante 20% de chance de corte de 0,25 ponto porcentual. Para dezembro e janeiro, a precificação embutia 17 pontos-base e 31 pontos-base de alta, respectivamente.