Uganda deu início a uma distribuição de alimentos de emergência após a confirmação de pelo menos 19 mortes por fome na região de Karamoja, que enfrenta uma seca prolongada. A crise alimentar se intensificou devido à falha das colheitas, uma vez que as chuvas esperadas não ocorreram, resultando em escassez alimentar aguda para os 1,5 milhões de habitantes da região.
De acordo com o Famine Early Warning Systems Network (Fews Net), a situação em Karamoja se deteriorou a um nível de crise. Em resposta, o governo ugandense anunciou um plano para distribuir 9.400 toneladas de alimentos nos próximos dois meses, utilizando um financiamento emergencial de 45 bilhões de shillings (aproximadamente £9 milhões), aprovado pelo parlamento.
Ações do governo e desafios enfrentados
O ministro de Preparação para Desastres e Refugiados, Sam Engola, deu início às operações de distribuição em uma escola primária na sub-região de Lodiko, no distrito de Kaabong, na quarta-feira. Engola afirmou: “O presidente não quer ouvir falar de ninguém em Karamoja morrendo de fome. Estou aqui para supervisionar a distribuição deste alimento até o fim. Garantirei que todos recebam comida. Ninguém ficará para trás.”
A região de Karamoja está enfrentando sua mais severa seca em anos. Desde a última chuva significativa, registrada em abril, agricultores perderam suas colheitas, o que tem levado muitos a procurar alternativas para sustentar suas famílias. Angelina Nakiru, uma mãe de 21 anos e moradora de Rupa, expressou sua luta diária para alimentar seus filhos após a falha de suas plantações. “O trabalho é empoeirado e cansativo, mas é a única forma que consigo ganhar dinheiro para comprar um pouco de milho e feijão para alimentar as crianças”, disse.
Consequências da insegurança alimentar
Instalações de saúde na região têm relatado o tratamento de centenas de crianças com desnutrição severa. Um relatório nutricional publicado em junho indicou que quase metade da população nos distritos de Kaabong e Kotido está em situação de crise. Especialistas apontam que a insegurança alimentar recorrente na região é atribuída a choques climáticos, degradação ambiental e pobreza, além de baixa produtividade agrícola.
Em 2022, uma grave crise de fome resultou na morte de mais de 2.200 pessoas, conforme dados da comissão de direitos humanos de Uganda. Embora a ajuda alimentar emergencial possa oferecer alívio a curto prazo, o governo se comprometeu a implementar medidas de longo prazo com o recém-aprovado plano de desenvolvimento regional de Karamoja, que visa fortalecer a resiliência das comunidades à seca.
O ministro de Karamoja, John Baptist Lokii, afirmou que o governo fornecerá sementes resistentes à seca e a doenças antes da próxima temporada de plantio. Agnes Kirabo, diretora executiva da Food Rights Alliance (FRA), ressaltou que a liderança do governo na distribuição é necessária devido às mudanças no cenário da ajuda humanitária, especialmente após cortes significativos de financiamento, como os realizados pela USAID.
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