Brasil fora de lista da UE expõe novos desafios ao agro global

A partir de 3 de setembro, o Brasil deixou de figurar, para determinadas categorias, na lista da União Europeia de países autorizados a fornecer produtos de origem animal ao bloco. A mudança está relacionada às exigências europeias sobre o uso de medicamentos antimicrobianos e atinge categorias como bovinos, aves, aquicultura, mel e tripas.

A decisão europeia é um exemplo de como regras sanitárias e regulatórias vêm ganhando peso nas relações comerciais e podem afetar diretamente o acesso de grandes produtores de alimentos aos mercados internacionais. Para o Brasil, um dos principais exportadores mundiais de proteínas animais, o episódio também reforça a necessidade de acompanhar uma agenda global cada vez mais complexa.

É justamente esse ambiente que estará em discussão no Global Agribusiness Festival (GAFFFF) 2026, durante o painel “Geopolítica e Comércio Agro: a Nova Regulação Global dos Mercados”. O encontro integra a programação do evento e reunirá especialistas para discutir as transformações que estão redesenhando as relações comerciais do agronegócio.

O caso europeu não é isolado. O agronegócio brasileiro também acompanha os efeitos da salvaguarda chinesa para a carne bovina, que estabelece cotas por país e prevê uma tarifa adicional de 55% sobre os volumes que ultrapassarem os limites definidos. Em agosto, as importações de carne brasileira já haviam alcançado 90% da cota anual estabelecida por Pequim.

Voltando à União Europeia, outro exemplo é a Regulação Europeia sobre Desmatamento (EUDR), que deverá começar a ser aplicada no fim de 2026 e estabelece novas exigências de rastreabilidade e comprovação de origem para produtos associados ao desmatamento, incluindo cadeias relevantes para o Brasil, como soja, café e carne bovina.