Por que algumas formigas auxiliam seus companheiros em situação de perigo enquanto outras não fazem isso? Um estudo recente liderado pela Universidade Johannes Gutenberg Mainz e pelo Instituto Tel Aviv University oferece uma nova perspectiva sobre esse comportamento.

A pesquisa, publicada no Journal of Experimental Biology, focou em formigas trabalhadoras da espécie Cataglyphis niger. Os cientistas observaram que a diferença chave não está relacionada ao tamanho corporal, morfologia ou reservas energéticas, mas sim à atividade genética no sistema nervoso.

Comportamento auxiliar baseado em genes

O professor Susanne Foitzik, da Instituição de Evolução Orgânica e Molecular, explicou: 'Nosso estudo mostra que, nas formigas, a disposição para auxiliar está ligada a diferenças mensuráveis na atividade genética'. Este é um avanço importante, pois o comportamento auxiliar era anteriormente associado principalmente a mamíferos, enquanto este tipo de comportamento evoluiu independentemente nas formigas.

No laboratório, os pesquisadores criaram situações de emergência, restringindo uma formiga trabalhadora e liberando indivíduos da mesma colônia. As formigas foram classificadas como auxiliadoras se se aproximavam do compadre restrito e tentavam libertá-lo, e como não auxiliadoras se apenas se aproximavam.

Diferenças genéticas nas áreas cerebrais

A análise genômica mostrou que 15 genes eram mais ativos nos cérebros das formigas auxiliadoras, incluindo aqueles relacionados à percepção do odor, regulação hormonal, processos metabólicos e funções imunológicas. Em todas as áreas examinadas, nove genes eram mais ativos nas formigas auxiliadoras.

Os pesquisadores não encontraram evidências de que as formigas auxiliadoras fossem simplesmente mais fortes ou melhor supridas em energia. 'Nossos resultados sugerem que as diferenças no processamento de estímulos sensoriais e em certos caminhos de sinalização molecular podem influenciar se uma formiga responde a um compadre em perigo', afirmou Foitzik.