Midterms - Eleitora preenche cédula de votação em Harrisburg, na Pensilvânia (EUA) REUTERS/Mike Segar O Departamento de Justiça dos Estados Unidos entrou com uma ação judicial contra a Califórnia nesta quinta-feira (15), para impedir o estado de contabilizar os votos enviados pelo correio por mais de 20 mil eleitores que, segundo o governo Trump, provavelmente não são cidadãos americanos. O processo mira as chamadas midterms - eleições de meio de mandato que acontecem em novembro. Trata-se da mais recente iniciativa de Trump para ampliar o papel do governo federal nas disputas legislativas, em um momento em que o Partido Republicano enfrenta uma corrida acirrada para manter o controle das duas casas do Congresso.

A Constituição dos Estados Unidos atribui aos estados a responsabilidade pela administração das eleições, embora o governo federal exerça algum papel de supervisão. Trump tem afirmado repetidamente que o voto de não cidadãos — que é ilegal — é uma prática disseminada, apesar de diversos estudos mostrarem que esses casos são raros. Uma investigação da Reuters publicada em julho constatou que apenas 129 pessoas haviam sido processadas por votar sem ter cidadania americana desde a aprovação, em 1996, da lei que criminalizou essa prática.

O Departamento de Justiça intensificou esses processos nos últimos meses. Na ação apresentada a um tribunal federal em Los Angeles, o Departamento de Justiça solicitou uma ordem judicial para impedir a Califórnia de "contabilizar, nas eleições federais, votos recebidos pelo correio" de mais de 20 mil eleitores até que sua situação migratória seja verificada.