O Irã está se aproximando de mudanças políticas sensíveis nos preços da gasolina, à medida que o governo lida com um crescente descompasso entre a produção e o consumo de combustíveis, agravado pelo conflito atual com os Estados Unidos. Em 25 de julho de 2026, a porta-voz do governo, Fatemeh Mohajerani, afirmou que ajustes nos preços dos combustíveis ou racionamento são "certos e inevitáveis", embora ainda não tenha sido confirmado se a resposta será por meio de novas cotas, aumento de preços ou ambos.
O Irã utiliza um sistema de preços de combustível subsidiado em camadas, com cotas mensais que variam atualmente de 1.500 tomans (US$ 0,008) por litro no nível mais baixo a 5.000 tomans (US$ 0,026) no topo. A mídia iraniana relatou que o novo patamar para a gasolina pode saltar para 10.000 tomans (US$ 0,053) por litro, o que representaria um aumento de quase 100%. Este valor ainda não foi oficialmente confirmado.
Pressões econômicas e sociais
Embora o preço da gasolina no Irã pareça muito baixo em comparação com o resto do mundo, a realidade econômica é diferente, com a população enfrentando uma queda significativa na renda. O salário mínimo mensal em 2026 foi estabelecido em cerca de 16,6 milhões de tomans, ou aproximadamente US$ 87. Qualquer aumento nos preços dos combustíveis impacta diretamente as famílias.
A última grande alta nos preços dos combustíveis, em novembro de 2019, resultou em protestos em todo o país e uma das repressões mais violentas na história da República Islâmica. Agora, o governo enfrenta um novo desafio, já que o Irã consumia mais gasolina do que produzia antes do início do conflito com os EUA em fevereiro. Danos à infraestrutura de combustíveis e restrições às importações tornaram essa desproporção mais difícil e cara de gerenciar.
Impacto sobre o cotidiano e alternativas
Oficiais iranianos argumentam que precisam reduzir a demanda por gasolina por meio de preços mais altos. No entanto, críticos afirmam que a gasolina é uma necessidade e que os custos mais altos não reduzirão a demanda. Um residente de Karaj, próximo a Teerã, comentou que o aumento dos preços dos combustíveis rapidamente se refletirá na economia, elevando o custo de bens e serviços e pressionando as famílias de renda média e baixa.
Um especialista em energia, Umud Shokri, destacou que, embora os preços mais altos possam desestimular o uso desnecessário de veículos, eles não resolverão a crise sozinhos. Ele sugeriu que um aumento gradual para o consumo acima das cotas mensais poderia ajudar a controlar a demanda, mas precisaria ser combinado com apoio financeiro para famílias mais pobres e melhorias substanciais no transporte público.
O Irã, que possui algumas das maiores reservas de petróleo do mundo, enfrenta um déficit crescente em gasolina, com a produção atual de cerca de 121 milhões de litros por dia, enquanto o consumo diário é de aproximadamente 129 milhões de litros. A dependência de importações aumentou, dificultada por sanções que complicam pagamentos e logística de transporte.
Comentários (0)
Entre ou cadastre-se para comentar.