O parasita da malária Plasmodium falciparum pode detectar mudanças no ambiente do hospedeiro e aumentar a produção de formas sexuais, capazes de serem transmitidas a mosquitos, sob condições de estresse. Um estudo liderado pelo Instituto de Saúde Global de Barcelona (ISGlobal) identificou o mecanismo molecular responsável por essa adaptação.

Processo de adaptação ao estresse

Durante a infecção no sangue humano, o parasita enfrenta duas demandas: multiplicar-se para sustentar a infecção e desenvolver-se em formas sexuais chamadas gametócitos, que podem ser transmitidas a outros humanos através de mosquitos. Essa decisão é crucial durante a vida do parasita, que causa as formas mais graves da malária.

A pesquisa revela que o parasita responde a diferentes tipos de estresse por meio de um único mecanismo, ativando o mesmo caminho regulador. Isso ocorre independentemente de se tratar de limitação de nutrientes, tratamento com medicamentos antimaláricos ou episódios simulados de febre.

Sistema de controle interno

O estudo mostra que a resposta ao estresse não se limita apenas à ativação de genes, mas também envolve a reorganização do heterocromatina, um tipo de pacote de DNA que mantém certos genes silenciados. Além disso, o sistema inclui um mecanismo de controle interno: uma vez ativado, o GDV1 induz a conversão em gametócitos enquanto simultaneamente promove a produção de gdv1-as, uma molécula de RNA que reprimi a atividade do GDV1. Este loop de feedback regula a expressão do GDV1, permitindo uma resposta rápida ao estresse sem que a expressão permaneça ativa por mais tempo do que necessário.