O mito do macho provedor e a armadilha das trad wives
As redes sociais estão tomadas por vídeos de trad wives, mulheres que abandonam a carreira, dedicam-se exclusivamente ao marido, aos filhos e à casa e apresentam a dependência financeira como escolha, virtude e até destino natural. A estética é sedutora: pão caseiro, vestidos longos, cozinhas impecáveis. No entanto, o conteúdo jurídico, contudo, é perigoso.
Segundo dados do Censo de 2022, 49,1% dos domicílios brasileiros têm uma mulher como responsável, enquanto a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) do IBGE indica que, no quarto trimestre de 2024, 51,66% dos lares brasileiros eram chefiados por mulheres.
Em termos salariais, as mulheres ganham, em média, 21,3% a menos que os homens nas empresas com 100 ou mais empregados, uma diferença que aumentou desde 2023. Nas famílias mais pobres, as mulheres são as responsáveis em 81,5% dos lares que recebem o Auxílio Brasil.
A história explica por que a dependência econômica nunca foi uma escolha neutra. O Código Civil de 1916, em sua redação original, colocava a mulher casada entre os relativamente incapazes, ao lado dos menores púberes, dos pródigos e dos silvícolas, e a proibia de exercer profissão sem autorização do marido.
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